Como as percepções públicas podem aliar-se às praticas conservacionistas?

Por: Lucas Aquino

Atualmente, há uma crescente conscientização da relevância do engajamento social nas questões referente à conservação marinha devido a diversos fatores: 1) A mudança comportamental das pessoas tem um grande potencial de diminuir as pressões e os riscos ao ambiente marinho; 2) Cada vez mais tem sido adotado um governo participativo em ambientes costeiros favorecendo a proteção e restauração dessas áreas e 3) O estabelecimento de Áreas de Proteção Ambiental Marinha (APA Marinha) exige aceitação e o engajamento social.

Nesse sentido, uma nova área, a Pesquisa de Percepção Pública (PPP), tem ganhado forças trazendo benefícios para a conservação marinha. Essa é essencialmente parte das ciências sociais, mas que apresenta uma elevada interdisciplinaridade abrangendo questões acerca de psicologia, sociologia e das ciências naturais. O propósito das PPPs é entender a heterogeneidade da percepção pública, através de questionários e entrevistas, por exemplo, analisando não somente o nível de conhecimento popular sobre o ambiente marinho, suas espécies e as principais ameaças, mas também busca avaliar o comportamento, o interesse, o valor e as conexões que as pessoas estabelecem com esse ambiente, a fim de promover um maior engajamento social nas questões ambientais. Desse modo, a PPP identifica as divergências entre os conhecimentos e as atitudes dos conservacionistas e do público geral, tornando-se uma ferramenta imprescindível para o estabelecimento de programas de educação e comunicação científica mais eficiente.

Apesar de ser uma área recente, a PPP já demonstra sua eficiência vide o que ocorreu no Bien Unido Reef Marine Park, nas Filipinas, onde a pesca que utilizava cianeto e explosivos, era uma prática cultural amplamente difundida, mas que após a adoção desse tipo de estudo, foram adotadas medidas com fins conservacionistas. Sabendo-se da conexão cultural entre a sociedade e o oceano, estátuas religiosas foram colocadas dentro do mar formando um ambiente recifal muito atrativo para o turismo (Figura 1). O resultando da implementação dessa medida foi um declínio significativo da prática de pesca ilegal que é extremamente nocivo aos ambientes recifais.

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Figura 1: Escultura subaquática em Bien Unido Reef Marine Park

Outro importante resultado obtido está relacionado aos mergulhos autônomo. A adoção de programas estabelecidos a partir de PPPs tem reduzido expressivamente os impactos negativos desse tipo de prática recreativa. A solução foi engajar os mergulhadores em questões ambientais. Visto que o ativo envolvimento com práticas ambientais adequadas leva a uma mudança comportamental de modo a favorecer a conservação.

Por ser uma área recente e em desenvolvimento, pesquisadores que aderem as Pesquisas de Percepção Pública encontram as mais diversas barreiras. Devido a sua interdisciplinaridade, muitas vezes é difícil encontrar financiamentos para os projetos, já que há uma prevalência de se investir em disciplinas mais direcionadas. O universo acadêmico é muito competitivo e confidencial, o que violaria os princípios das PPP de divulgação e engajamento social em todas as fases de execução dos estudos. O valor acadêmico desse tipo de estudo, em muitos casos, é subestimado dentro das universidades, de modo que, torna-se mais interessante que outras organizações voltadas às praticas ambientais administrem esse tipo de projeto.

Por fim, as Pesquisas de Percepção Pública são promissoras ferramentas que dão suporte mais robusto aos projetos de conservação marinha, por promover o engajamento da sociedade, dos cientistas e dos formuladores de políticas, em todas as etapas do processo, desde o levantamento da percepção pública até as fases divulgação dos resultados. A tendência global é de uma crescente adoção dessas práticas devido aos benefícios concretos que tem agregado às práticas conservacionistas.

Referência: Jefferson, R., McKinley, E., Capstick, S, Fletcher, S, Griffin, H and Milanese, M (2015) Understanding audiences: Making public perceptions research matter to marine conservation. Ocean and Coastal Management, 115. pp. 61-70.

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